Na segunda-feira, 24/05, Lírio Parisotto, um dos maiores investidores do mercado acionário do Brasil, esteve na BM&FBovespa para palestra promovida pelo Ação Jovem do Mercado Financeiro e de Capitais. À frente do L. PAR FIA, fundo fechado de investimentos em ações , Lírio gere mais de R$ 2,1 bilhões em ações. “Todo meu patrimônio livre está em bolsa”, revela.
De maneira bem-humorada e muito à vontade com os jovens e investidores que estavam no evento, Parisotto falou sobre sua trajetória, conceitos e estratégias ao investir e o que pensa sobre o mercado de ações e o Brasil. Confira os melhores momentos:
Sobre a palestra e o Ação Jovem do Mercado Financeiro e de Capitais
× Uma iniciativa fantástica de vocês, jovens, que serão os grandes investidores de amanhã. Meu objetivo aqui é colaborar na catequese sobre o mercado de Renda Variável, como fazem as iniciativas do Bovespa vai até você (...), desmitificar a história da jogatina.
Sobre o Mercado de Ações e Fundos no Brasil
× O grande concorrente da Renda Variável (ações) é a Renda Fixa. Os juros que se pagam no Brasil não é algo normal. O sujeito que investe nos títulos de dívida do governo fica ali quietinho e acaba ganhando de nós que nos esforçamos para conseguir rentabilidade na bolsa.
× 70% dos fundos de investimento de ações não conseguem bater o Ibovespa. Na minha opinião, o gestor que não bate o Ibovespa deveria devolver a taxa de administração.
Histórico no mercado
× O verdadeiro investidor aparece na baixa. Minhas duas primeiras entradas em bolsa foram em momentos de alta. (...) Em 1971, ganhei um concurso de monografia, o prêmio equivalia a um fusca(...). Escutava professores, todo mundo dizendo que dava para dobrar o dinheiro na bolsa(...). Coloquei tudo em um fundo, um ano depois o que restou dava para um jantar, com vinho nacional. (...) Em 1986, o Plano Cruzado fez o mercado explodir. (... ) Comprei papéis como Varig e Sharp (...). Perdi US$ 300 mil.
× Comecei a ler e entendi o óbvio, que é vender na alta e comprar na baixa. (...) Vi um gráfico que mostrou que eu estava cometendo erros clássicos. Estava entrando quando todo mundo entrava na bolsa, que é quando ela está alta. Entrar quando todo mundo fala de bolsa é errado.
× Quando houve a crise da Ásia, em 98, entrei de novo, mas com outra cabeça: “Eu nunca mais vou sair”.
× O L. PAR FIA foi iniciado em novembro de 1998. Desde então tem uma rentabilidade anualizada de 35,56%. (...) O Warren Buffet (famoso mega investidor americano), que é considerado um gênio, faz 20%. (...) Eu nunca perdi do Ibovespa. 70% dos gestores não fazem o Ibovespa. (...) É uma rentabilidade superior a 5.000% em 13 anos. Em média, fazemos 80% a mais que o Ibovespa.
Conceitos e estratégias
× Eu trabalho com um fluxo de caixa de no mínimo 6% ao ano para reinvestir, não importa o mercado. (...) O dinheiro novo entra através de dividendos, aluguel (de ações) e opções.
× É preciso encontrar coisa boa e barata para comprar. Encontrar os dois separados é fácil, tem muita coisa boa por aí, tem também muita empresa barata. O difícil é encontrar os dois juntos.
× Você erra muito menos ao investir em empresa que tem história, tem balanço, tem a trajetória dos donos. (...) Não gosto de papéis exóticos, por exemplo, de empresas que não produzem.
× Meus três principais critérios são Liquidez, Dividend Yeld (distribuição de dividendos) e P/L (Preço/ lucro).
× (Recomendo) pouca diversificação. Uma ação por mês do ano é mais que suficiente. (...) eu tenho cerca de uma dúzia de papéis porque não tenho coragem de investir numa só. No final das contas, o que faz diferença é um ou dois papéis.
× Eu não falo em investir em ações, falo em ser sócio das empresas. A vantagem de investir nelas são entrar em um negócio grande, com administração profissional, transparente (...), que distribui lucros e que tem liquidez. A maioria das grandes fortunas está no mercado de capitais.
× Eu tive que fazer cursos para aprender a ler balanços, afinal você tem que fazer o dever de casa. (...) Quem não fizer, não deve ir pra compra direta. (...) O investidor tem que saber se está preparado para investir consciente, quem trabalha tem que saber como vai ter tempo para investir e analisar as informações.
× Não mudei a carteira desde 2008. Não perdi nada na crise, consegui comprar ações mais baratas. Você só perde ou ganha quando vende as ações e realiza o lucro ou prejuízo(...) Fiquei triste porque não tinha capital para comprar mais ainda. Quando a bolsa cai é uma oportunidade de compra, e nunca perdi um minuto de sono por isso.
Sobre o Brasil
× Uma coisa boa no país é que está se formando uma geração que não sabe o que é inflação. (...) Não deixemos nunca essa ‘maledeta’ voltar. Isso arruína qualquer negócio.
× Quem tem dólar investido no exterior quer trazer para o Brasil. (...) Quem você acha que vai crescer mais nos próximos 10 anos, Brasil ou Estados Unidos? Claro que o Brasil, então todos querem investir aqui.
× Hoje o Brasil é tema de abertura nos ‘speechs’ dos principais eventos para investidores do mundo. Um tempo atrás, você nem ouvia falar em Brasil lá fora, nem nas programações paralelas.