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A emergência não espera.

27 de abril de 2020 - por Ação Jovem sem comentários

  • Patricia Palomo

    Por Patricia Palomo(*)

     

    Reserva de emergência deve ser investida mas não é investimento.

     

    Ficou confuso? Explico:

     

    Partindo da definição de investimento como sendo um montante de recursos do qual o individuo abre mão do consumo hoje em troca de uma remuneração (juros, rendimentos, dividendos etc) para poder consumir mais no futuro, a reserva de emergência NÃO deve ser considerada como investimento uma vez que o individuo não pode abrir mão do consumo presente desse montante. É justamente ao contrario, o recurso deve estar totalmente disponível para o consumo presente caso haja qualquer adversidade.

    Nesse contexto, apesar de não dever ser considerada como investimento, o recurso da reserva de emergência deve sim ser investido para pelo menos acompanhar a inflação e não ter seu poder de compra reduzido durante o período no qual não for utilizada.

    Sempre que escuto de alguém que a “renda fixa morreu” fica a impressão que limitam renda fixa a apenas produtos pós fixados, atrelados ao CDI ou Selic. O que é um erro. Desconsiderar conceitos como duration, convexidade, indexadores pré fixados ou híbridos (como IPCA + juro real), futuros, opções, termo, swaps, enfim todos os instrumentos possíveis de se operar em renda fixa, em diversos cenários, mostra o desconhecimento do interlocutor quanto a essa classe de ativos que está longe de estar morta.

    Desconfio que isso aconteça porque confundem reserva de emergência com investimento em renda fixa. A reserva não deveria nem entrar no consolidado do portfólio do investidor pelas razoes explicadas acima. Se ela entra, tira espaço da renda fixa que é muito mais ampla e deveria sim constar nas carteiras de acordo com o perfil de investimento de cada um.

    Um aspecto fundamental do tipo de investimento adequado para a reserva de emergência é a liquidez, ou o prazo em que se pode dispor do recurso investido. Deve ser de preferência imediato, ou D0 no jargão de mercado.

    Outro aspecto é a sua previsibilidade, ou seja, o recurso não deve estar sujeito a variações de preços repentinas já que pode não haver tempo para recuperar.

    Esse é um ponto muito importante de se avaliar, principalmente para pessoas que usam fundos de investimentos de renda fixa para manter suas reservas.

    Muitos desses fundos correm dois tipos de risco: de crédito e de mercado. Os fundos do tipo “Referenciado DI” correm menos risco de mercado já que grande parte da carteira deve ser pós fixada, ou atrelada ao CDI. Apesar disso muitos deles possuem uma parcela considerável da carteira em ativos de credito privado e também podem sofrer em eventos de remarcação dos preços a mercado, como vimos em 2019.

    Num cenário de juros baixos e taxas de administração ainda gordinhas, uma variação de preços mais intensa pode fazer com que a remuneração líquida (descontando os impostos) do fundo não seja suficiente para manter o poder de compra.

    Então algumas outras opções interessantes estão no tesouro direto. E seguindo a mesma linha de raciocínio, o indicado para reserva de emergência é o Tesouro Selic, já que o Tesouro Pré e Tesouro Inflação oferecem mais risco de mercado.

    Outra opção e que algumas pessoas têm escolhido é deixar o recurso de reserva de emergência parado em conta corrente de bancos, já que alguns oferecem até 100 % CDI como remuneração e garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), o que também é válido.

    O que não vale é “investir” a reserva e sair perdendo quando precisar usar o recurso. A emergência não espera.

     

    Patricia é economista, planejadora financeira certificada pelo CFP e Diretora de Investimentos da Sonata Gestora de Recursos, CFP®, CGA® e voluntária do Ação Jovem.

    Observação: As opiniões aqui expressas refletem exclusivamente a visão da autora e não se caracterizam como material de venda ou sugestão de investimentos.

     

    Texto publicado originalmente no Linkedin.

     

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