Novidades

[Economia em Minutos] Veja os destaques da (mini) semana para os mercados

15 de fevereiro de 2018 - por Ação Jovem sem comentários

  • Destaques do dia

    - Ata do Copom explicitou discussão sob circunstâncias em que haverá interrupção ou corte de juros em março
    – Mercado ajustou expectativas de inflação de 2018 para baixo
    – Vendas de cimento recuaram 0,6% em janeiro
    – Maior deflação nos preços dos produtos agropecuários e desaceleração de preços do minério foram os principais destaques no IGP-10 de fevereiro

    - Surpresa altista com CPI dos EUA reforçou expectativa de que o Fed seguirá aumentando juros
    – Resultado de vendas no varejo norte-americano surpreendeu para baixo no começo do ano

    - Ata do Copom explicitou a discussão sob circunstâncias em que haverá interrupção ou corte de juros em março
    A ata da reunião de fevereiro do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) deixou marginalmente mais aberta a discussão sobre a interrupção do ciclo de afrouxamento monetário, em sua próxima decisão, em março. No que tange ao cenário global, marcado por volatilidade nas últimas semanas, o documento apontou que a trajetória prospectiva da inflação pode produzir “algum aperto das condições financeiras”, mas que a economia brasileira apresenta capacidade de absorver eventual revés no cenário devido à situação robusta do balanço de pagamento e à inflação baixa e com expectativas ancoradas. Em relação ao ambiente doméstico, a ata apontou que a recuperação da economia apresenta “maior consistência” e que algumas medidas de inflação subjacente estão em níveis confortáveis ou baixos. O documento explicitou que os membros do Comitê focaram a discussão em avaliar as circunstâncias que tornariam a interrupção do ciclo mais apropriada ou se haveria espaço adicional para um outro corte de juros. Do lado da flexibilização adicional, a continuidade dos baixos níveis dos núcleos de inflação ou redução na probabilidade de aumento de prêmio de risco. Do lado da interrupção, a evolução do cenário em linha com o esperado, caracterizada por recuperação mais consistente da atividade e piora do cenário internacional seriam fatores determinantes. Por fim, houve uma discussão sobre a comunicação a respeito dessa discussão, com a conclusão de que se o cenário evoluir conforme o esperado a interrupção será mais adequada para a reunião de março. Assim, avaliamos que a manutenção da taxa Selic em 6,75% ao ano deverá ser a opção no próximo encontro, mas que a probabilidade de novo corte de 25 p.p. aumentou.

    Focus

    - Mercado ajustou suas expectativas para a inflação deste ano
    O destaque do Relatório Focus, divulgado ontem pelo Banco Central com projeções até o dia 9 de fevereiro, ficou por conta da revisão baixista de inflação. A mediana das expectativas para o crescimento do PIB de 2018 permaneceu em 2,70%, enquanto a de 2019 ficou estável em 3,00%. A mediana das expectativas para o IPCA de 2018, por sua vez, oscilou de 3,94% para 3,84%, permanecendo em 4,25% para 2019. Já as projeções para a Selic no final de 2018 e de 2019 mantiveram-se em 6,75% e 8,00%, respectivamente. No que se refere ao câmbio, a expectativa de final de período ficou, para 2018, em R$ 3,30/US$ e, para 2019 passou de R$ 3,40/US$ para R$ 3,39/US$.

    Atividade

    - SNIC: vendas de cimento recuaram 0,6% em janeiro
    As vendas de cimento somaram 4,3 milhões de toneladas em janeiro, o que representa uma queda de 0,6% em relação a dezembro, segundo os dados divulgados ontem pelo Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) e dessazonalizados pelo Depec-Bradesco. Na comparação com o mesmo período de 2017, as vendas avançaram 0,5%, acumulando redução de 6,1% nos últimos 12 meses, em resposta à atividade ainda enfraquecida do setor. Para os próximos meses esperamos retomada da atividade imobiliária, o que deve impulsionar o consumo de cimento.

    Inflação

    - Maior deflação nos preços dos produtos agropecuários e desaceleração de preços do minério foram os principais destaques no IGP-10 de fevereiro

    O IGP-10 de fevereiro desacelerou para 0,23%, ante a alta de 0,79% no mês anterior, conforme divulgado há pouco pela FGV. Esse resultado ficou abaixo do esperado pela mediana das expectativas dos agentes (0,34%) e também abaixo do que esperávamos (0,27%). Acumulado em doze meses, o índice registrou queda de 0,42%. Considerando-se a abertura do dado, a desaceleração tanto pode ser explicada pela queda nos preços dos produtos agropecuários, que passaram de uma variação de 0,74% na divulgação de janeiro para -1,00% em fevereiro, quanto pela menor alta dos preços industriais, que desaceleraram de 1,17% para 0,45%. O IPC, por sua vez, acelerou de 0,36% para 0,57%, enquanto o INCC registrou alta de 0,32%, ante a variação de 0,08% na leitura anterior. Dentre os produtos, destacamos a deflação mais acentuada dos preços agrícolas, como a soja, carne bovina e aves, e a desinflação do minério de ferro, que passou de uma alta de 8,53% em janeiro para outra de 1,40% na leitura atual.

    Internacional

    - EUA: surpresa altista com a inflação ao consumidor reforçou expectativa de que o Fed seguirá na normalização da política monetária

    O índice de inflação ao consumidor (CPI) acelerou na margem, passando de 0,2% em dezembro para 0,5% em janeiro. Esse resultado surpreendeu negativamente, uma vez que a mediana das projeções apontava para variação de 0,3%. A aceleração no primeiro mês do ano refletiu o aumento dos preços de energia (que passaram de uma queda de 0,2% para uma alta de 3,0% no período). Na comparação interanual, a alta registrada em janeiro foi a mesma verificada em dezembro (2,1%). Já o núcleo acelerou de uma alta de 0,2% para outra de 0,3%. Essa aceleração do núcleo reforçou nossa percepção de que a inflação deve continuar caminhando gradualmente para a meta do FOMC, dando suporte à continuidade do processo de normalização dos juros nos EUA. Avaliamos que o banco central norte-americano fará um movimento de quatro altas nos juros ao longo de 2018.

    - EUA: surpresa baixista nos dados de vendas no varejo colocou um viés de desaceleração para o consumo do primeiro trimestre

    Os dados de venda no varejo nos Estados Unidos divulgados ontem registraram queda de 0,3% na passagem de dezembro para janeiro. O resultado foi bem inferior à mediana das expectativas do mercado (+0,2%) e ao resultado do mês anterior (variação nula). Olhando para as aberturas, a surpresa concentrou-se em veículos e outras peças (-1,3%), materiais de construção (-2,4%) e produtos de saúde e higiene pessoal (-1,2%). Entretanto, ao analisar a abertura que exclui apenas vendas de veículos registrou-se estabilidade no mês, o que também se verificou com o indicador que exclui automóveis e combustíveis. Assim, o dado reportado pode contribuir para uma ligeira desaceleração do consumo neste primeiro trimestre.

    Tendências de Mercado

    Os mercados acionários operam em alta nesta manhã de quinta-feira. As bolsas asiáticas encerraram o dia no campo positivo e os índices das principais bolsas europeias avançam, devolvendo parte da queda dos últimos dias. Em linha com esse cenário, os índices futuros norte-americanos sugerem ligeira alta para o pregão de hoje. No mercado de divisas, o dólar opera perdendo valor frente às principais moedas, com destaque para o rand da África do Sul, que se valoriza refletindo a renúncia do presidente Jacob Zuma diante das acusações de corrupção.

    No mercado de commodities, hoje serão conhecidos os dados semanais sobre a perfuração de novos poços nos EUA, o que pode influenciar as cotações de petróleo ao longo do dia. As principais commodities industriais e agrícolas operam em alta.

    No Brasil, o mercado de juros deve reagir à Ata do Copom e ao IGP-10, divulgados há pouco.

    Fonte: economiaemdia.com.br

Comentários