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[Economia em Minutos] BC deve continuar cortando os juros

6 de outubro de 2017 - por Ação Jovem sem comentários

  • Análise de Conjuntura

    – Os dados de atividade continuam apontando para retomada gradual, a despeito da surpresa negativa com o resultado da produção industrial de agosto. Apesar da queda de 0,8% na indústria total, a produção de bens de capital continuou mostrando tendência de recuperação pelo quinto mês consecutivo, sinalizando retomada do investimento no terceiro trimestre. Somado a isso, os indicadores iniciais de setembro apontam para continuidade na melhora da atividade: alta de 5,6% na produção e de 5,3% nas vendas de veículos, e aumento de 11,5% nas importações (ex-petróleo), com destaque para bens de capital e intermediários. O crescimento disseminado em diversos indicadores, incluindo o emprego, amplia nossa convicção na retomada da economia. Esperamos alta de 0,9% do PIB neste ano e de 2,8% em 2018.

    – O cenário para inflação continua benigno, o que deve levar o BC a estender o ciclo de flexibilização monetária. O IPCA teve alta de 0,16% em setembro, acima do esperado (+0,07%), com surpresa concentrada principalmente nos itens de alimentação e despesas pessoais. Apesar da surpresa altista e da expectativa de ligeira aceleração da inflação nos próximos meses (reflexo da menor deflação de produtos agrícolas) o cenário prospectivo de inflação segue bastante favorável. Assim, projetamos que neste ano a inflação fique em  3,0% e atinja 3,9% em 2018. As condições de contorno e perspectivas sob as quais o Banco Central tomará a decisão de juros em sua primeira reunião do ano devem levá-lo a estender o ciclo de queda de juros. Esperamos agora que a Selic caia até 6,75% em fevereiro.

    – No cenário internacional, prossegue o quadro de aceleração da atividade sem pressões inflacionárias. Os PMIs globais mostraram uma aceleração ainda mais acentuada e disseminada, tanto em países desenvolvidos como em emergentes, e apontam para um crescimento global de 4,5% anualizado no terceiro trimestre. O fraco resultado do payroll nos EUA refletiu exclusivamente os efeitos do furação Harvey.   Em regiões e setores não afetados, continuamos a ver bom desempenho no mercado de trabalho, com aumento da ocupação sem pressões salariais relevantes.

    Perspectiva semanal
    – As vendas do varejo de agosto serão o foco na próxima semana, para a qual esperamos avanço de 0,1% no comércio restrito. Apesar da ligeira acomodação em relação aos meses anteriores, o resultado de agosto não terá influência direta dos saques do FGTS (que terminaram em meados de julho) e, caso nossa projeção se confirme, refletirá uma retomada sustentada do consumo.

    – Na agenda internacional, as divulgações devem confirmar o cenário benigno para a inflação e positivo para a atividade. Serão conhecidos a inflação ao consumidor nos EUA e na Alemanha. Além disso, serão divulgados os dados da China de balança comercial e crédito, de produção industrial na Zona do Euro e vendas no varejo nos EUA. A despeito da desaceleração esperada na China, os dados deverão reforçar nossa visão de crescimento forte e espalhado na economia global nesse terceiro trimestre, sem perspectivas de pressões inflacionárias ao consumidor, garantido um ambiente global com ampla liquidez nos próximos meses.

    Fonte: Economia em Dia

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