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Ué? Não chamaram o mercado pro Impeachment?

1 de setembro de 2016 - por Ação Jovem sem comentários

  • impeachment

     

    POR GABRIEL PADOVESI

    O Impeachment da presidente Dilma Rousseff foi confirmado e o governo interino de Michel Temer passará a ser definitivo.

    O Brasil mudará de vez as suas diretrizes econômicas, políticas e ideológicas.

    É algo grande! É histórico! É extremo!

    Mas… porque é que o mercado foi tão chocho ontem?

    Disseram:

    “A bolsa vai subir!” – Caiu! (-1,15%).

    “O dólar vai cair!” – Subiu! (Mentira, até caiu, mas só 0,41%. E foi muito mais por causa do mercado americano do que do brasileiro).

    Nessa hora você se pergunta: “que m&£d@ que esses economistas fazem que não acertam um negócio desse tamanho?”

    Seu pensamento faz sentido. Mas, tá errado.

    O que acontece é que o mercado financeiro vive de expectativa, não de realidade. O que todo mundo já sabe que vai acontecer não tem mais graça, já é passado. Já faz algum tempo que a chance de impeachment era tão grande que todo mundo já tinha apostado nela. Aí, acabou o ganho. Quando chegou o dia de fato, já era passado no mercado financeiro.

    Por exemplo, imagina que você vai apostar no resultado de um jogo de futebol, mas sabe que o juiz vai dar a vitória pro Corinthians (todos os personagens são fictícios e qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência).

    Se apostar sozinho, você vai ganhar com certeza e faturar uma bolada. Mas, imagine que todos seus vizinhos decidiram apostar juntos, sabendo da preferência do juiz. Nesse caso, o ganho de cada bilhete vai ser baixíssimo. Mesmo que acerte, o resultado já vai vir com aquela sensação de notícia velha.

    Na prática o mercado financeiro tem sempre uma dinâmica de expectativa se ajustando à realidade. Pra ficar só no exemplo do impeachment, olha esses números:

    Em 04 de dezembro do ano passado, após o Cunha acatar o pedido de Impeachment, a bolsa subiu 3,29%, como se só a possibilidade da presidente sair já fosse mudar o Brasil.

    Depois, no dia seguinte, já caiu 2,23%, como se os investidores dissessem: “é, não foi uma notícia que mudou muita coisa”.

    Daí, o mercado já começou a considerar o afastamento em suas projeções e, por isso, tanto quando o pedido foi aprovado no Congresso quanto no Senado a Bolsa caiu, porque já não havia mais surpresa.

    E ontem? Você ficou surpreso?

    Nem os analistas.

    Mas, então a bolsa não vai mais subir?

    A expectativa de mudança no Governo já fez a Bolsa subir muito: só em 2016 a valorização do Índice Bovespa já é de 33,57% (fechamento até 31/08). Espera-se que continue subindo, mas agora o que importa é saber se o Temer vai entregar o que prometeu. Se não entregar, tudo vai piorar rápido. Se entregar o esperado, a bolsa deve continuar subindo. Agora, se surpreender as expectativas, aí sim o bagulho vai ser louco!

    Mas lembre-se! Se os investidores simplesmente cogitarem que ele vai falhar, a bolsa já vai desvalorizar. Investidor não fica esperando a tempestade chegar pra abandonar o barco. Se a chuva estiver pintando no horizonte, ele já pula fora.

    Com ou sem Dilma.

    Gabriel Padovesi, CFP® é Planejador Financeiro Pessoal certificado internacionalmente e MBA em Economia, Investimentos e Mercado Financeiro pela USP. Profissional do mercado financeiro, com passagens pelo segmento de Private Bank, Produtos de Investimento e Consultoria de Investimento, tem o objetivo de aproximar o mundo das finanças dos jovens e do público em geral. Para isso, tem ministrado palestras e participado de congressos de finanças comportamentais para compartilhar um novo olhar sobre o papel dos especialistas financeiros na sociedade.

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