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10 mentiras que te contam sobre produtos financeiros

19 de outubro de 2015 - por Ação Jovem sem comentários

  • As redes sociais transformaram Ana Hickman em piloto russa na guerra contra o Estado Islâmico. Nesses momentos, fica fácil perceber como nós somos vulneráveis às mentiras que nos contam, não é mesmo?

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    No mundo financeiro, não é diferente. Há diversas opiniões por aí e, muitas vezes, elas não são verdadeiras ou, pelo menos, não são absolutas e deveriam vir acompanhadas de um “depende”.

    Listamos dez mentiras que contam para você quando o assunto é o mercado financeiro:

    1. Capitalização é investimento: quando compra um título de capitalização, seu objetivo é ganhar no sorteio. Para isso, o banco aposta parte do seu dinheiro e aplica a diferença de um jeito que você vai ter tudo que gastou de volta com “correção monetária”, que significa “uma taxinha pequeninha para não ficar no zero a zero”. Assim, só compre uma capitalização se quiser uma forma prática de fazer uma fezinha.

    2. A poupança é a aplicação mais segura: a poupança é muito segura, com certeza. Mas, se você aplicar num CDB-DI, terá exatamente a mesma segurança. Inclusive, os dois tem a garantia do Fundo Garantidor de Crédito para perdas até R$ 250 mil por CPF e instituição financeira. Mas, normalmente, o CDB rende mais. Principalmente com os juros altos como agora.

    3. É necessário muito dinheiro para investir em imóveis: os fundos imobiliários compram participações em imóveis e vendem pequenas cotas, a valores bastante acessíveis. Às vezes, com R$ 300,00 já dá para comprar uma cota e você ainda tem direito a receber os rendimentos no mínimo semestralmente. Barato, né?

    4. Renda Fixa é fixa: na renda fixa você tem um contrato que estabelece uma forma de remuneração, o que significa que você sabe se vai ganhar juros do mercado (CDI, Selic) ou uma taxa preestabelecida ou se vai ganhar a inflação mais alguma coisa etc. E, dependendo da aplicação, você pode ter surpresas se decidir vender antes do vencimento (dá uma olhada no tópico 5).

    5. Tesouro Direto não tem risco de perda: imagine que você aplicou no Tesouro Prefixado para ganhar 11% ao ano durante 5 anos. Daí, passados 12 meses, você decide vender sua aplicação. Quanto você ganha?

    Se você respondeu 11%, errou. A resposta é “depende”.

    Por exemplo, se todo mundo acreditasse que os juros ficariam acima de 20% a.a. nos próximos 4 anos, você ia querer ficar ganhando 11%? Nem os investidores. Assim, se você tivesse aplicado nesse título, teria pago R$ 593,45 para ter mil reais em 5 anos. Já os investidores comprariam de você por R$ 482,25 para terem os mesmos mil reais em 4 anos.

    #ficaadica: se não tentasse vender, você teria aplicado R$ 593,45 e sairia com mil reais em 5 anos.

    6. Não vale à pena investir em previdência: é preciso ter cuidado para investir em previdência, porque normalmente as taxas de administração (anual) e carregamento (no momento de cada aplicação) costumam ser muito altas. Mas, tirando isso, a previdência é uma aplicação muito boa: você só pagará IR quando tirar o dinheiro, podendo ainda escolher qual a tributação mais adequada para você. Pode migrar de plano ao longo do tempo por meio da portabilidade e, ainda, economizar o IR se estiver adequado ao PGBL.

     

    7. Pegar empréstimo é sempre ruim: se você pagar o rotativo do cartão de crédito para comprar roupa, a mais de 100% ao ano, é claro que a conta não fecha. Mas, se um empresário pega empréstimo a 5% ao ano para investir na empresa e espera lucro de 30%, fará um ótimo negócio.

     

    8. Alugar é melhor que comprar imóvel: hoje, os juros para financiar um imóvel estão em torno de 10% ao ano. Já os juros de um título Tesouro Prefixado com Juros Semestrais está em torno de 16%. Se você tivesse dinheiro agora para comprar à vista, valeria à pena financiar o imóvel e aplicar no Tesouro Direto. Nesse caso, pra que ficar vivendo de aluguel?

     

    9. Consórcio é um bom jeito de juntar dinheiro: no consórcio, você se junta com outros participantes para cada um dar uma graninha por mês e, no montante, ser possível comprar algo caro, como um carro ou uma casa. Só que, para isso, você paga taxa de administração. Então, se for contemplado cedo, você vai pagar uma taxa de mais ou menos 2% ao ano para pegar um valor alto na mão – um excelente negócio, já que mesmo os juros de financiamento imobiliário, que são bem baratos, custariam cerca de 10%. Já se você for o último contemplado, vai se dar mal, porque vai pagar para juntar dinheiro.

     

    10. Investir em ações é um jogo de azar: investir em ações tem sempre um pouco de imprevisibilidade. Porém, se você acompanhar a empresa em que deseja investir, vai conseguir saber se ela está barata ou cara e se você pode confiar que ela continuará gerando lucro por muitos e muitos anos. Agora, se você nunca ouviu falar de bolsa e comprou OGX porque seu colega falou que ganhou dinheiro, aí foi você quem quis brincar de roleta russa!

     

    Gabriel-PadovesiGabriel Padovesi, CFP® é Planejador Financeiro Pessoal certificado internacionalmente e MBA em Economia, Investimentos e Mercado Financeiro pela USP. Profissional do mercado financeiro, com passagens pelo segmento de Private Bank, Produtos de Investimento e Consultoria de Investimento, tem o objetivo de aproximar o mundo das finanças dos jovens e do público em geral. Para isso, tem ministrado palestras e participado de congressos de finanças comportamentais para compartilhar um novo olhar sobre o papel dos especialistas financeiros na sociedade.

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