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O medo do escuro: a insegurança de investir no desconhecido

29 de setembro de 2015 - por Ação Jovem sem comentários

  • O medo do escuro: a insegurança de investir no desconhecido

    De repente, o breu. O mundo como você conhece desaparece diante de seus olhos. Na escuridão total, as imagens mais lívidas se formam. Imagens aterradoras.

     

    Não é difícil imaginar por que tantas pessoas tem medo do escuro. Mas, e o medo de investir? É justificável?

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    Você está diante de seu gerente e ele pergunta:

    _Qual é a sua tolerância ao risco?

    E, de repente, o breu.

     

    Risco de quê? Dá pra explicar? 

    Para acabar com o medo do escuro, basta acender a luz. Talvez, clareando os riscos das aplicações, o medo de investir também diminua.  Conheça os principais riscos financeiros:

     

    Tudo ou nada (o risco de crédito)

    Momento de tensão! A vítima está prestes a escapar de uma armadilha. Mas, se de um lado ela encontrará a saída, do outro voltará à estaca zero.

     

    O risco de crédito é a possibilidade de você não receber o dinheiro investido de volta. Ele vale para qualquer aplicação em que você empresta seus recursos: CDB, Tesouro Direto, LCI, Debênture e até a poupança.

     

    Não há meios termos. Ou você tomou uma boa decisão e emprestou seu dinheiro a uma instituição sólida que vai honrar seus compromissos, ou poderá sair de mãos vazias. Totalmente vazias.

     

    Por isso, é importante confiar no emissor do título, que é quem vai te pagar o rendimento. Às vezes, há garantias adicionais, como no caso da poupança, do CDB e da LCI, que são consideradas aplicações conservadoras.

     

    (Curiosidade: ações não têm risco de crédito, porque você não empresta seu dinheiro, você vira sócio).

     

    O inferno são os outros (o risco de mercado)

    Filme de terror clássico. Casal compra a casa perfeita, até que descobre estar vivendo sobre um cemitério indígena. Opa! A casa acaba de entrar na promoção!

     

    Quando falamos de ‘mercado’ estamos nos referindo a como os outros investidores enxergam nosso investimento. Se ontem o mercado achava minha ação boa e hoje não acha mais, ela vai desvalorizar. O mesmo acontece com aplicações de renda fixa prefixadas, aquelas em que o rendimento não muda até o final do contrato. A lógica é a mesma: se você tem um rendimento de 10% e todo mundo está ganhando 15%, você acabou de se ver no cemitério indígena.

     

    Sem saída (o risco de liquidez)

    Jason vem lentamente pelo corredor com sua faca na mão. A mocinha só tem uma porta para seguir e… ela não abre. A saída está lá, mas não está disponível.

     

    A liquidez é a facilidade com que o investidor pode sair de uma aplicação.  A poupança e o CDB, por exemplo, são muito fáceis de resgatar, enquanto um imóvel pode levar meses até ser vendido. Risco de liquidez, então, é a facilidade ou dificuldade de resgate. Do seu dinheiro, não da mocinha.

     

    No mesmo barco (o risco sistêmico)

    Você acorda e descobre que esteve em coma. No hospital e nas ruas, tudo está deserto.

     

    De repente, zumbis por todos os lados. Seu primeiro pensamento? ‘Minhas aplicações!’

     

    Claro que não. Você sabe que seu dinheiro já era. Você pode ter aplicado na empresa mais sólida, no Tesouro Direto, não importa! Agora, tudo acabou.

     

    O Apocalipse zumbi é o extremo do risco sistêmico, mas o conceito é o mesmo: uma situação que gere tanta incerteza que impactará todos os investimentos de um jeito que ninguém poderia prever. Um bom exemplo foi o atentado ao World Trade Center. Ninguém sabia o que houve ou o que poderia acontecer a partir dali, o que gerou pânico generalizado.

    Caminho suave

    Assumir riscos financeiros é igual à vida real: enquanto alguns esperam o semáforo fechar e olham para os dois lados antes de atravessar, tem gente que prefere correr no meio dos carros para chegar mais rápido. As duas situações sempre terão algum risco, mas é fácil saber quem está mais seguro.

     

    Nos investimentos, a lógica é a mesma. Você pode emprestar para empresas em situação mais frágil ou até mesmo comprar ações de pequenas companhias apostando que elas crescerão; ou você pode procurar títulos públicos federais e outros títulos de instituições confiáveis e comprar ações de empresas mais estabilizadas. Você ainda correrá riscos, mas sua segurança será maior.

     Agora, as luzes estão acesas. É você quem decide quais riscos aceita correr sem perder o sono.

     

    Gabriel-PadovesiGabriel Padovesi, CFP® é Planejador Financeiro Pessoal certificado internacionalmente e MBA em Economia, Investimentos e Mercado Financeiro pela USP. Profissional do mercado financeiro, com passagens pelo segmento de Private Bank, Produtos de Investimento e Consultoria de Investimento, tem o objetivo de aproximar o mundo das finanças dos jovens e do público em geral. Para isso, tem ministrado palestras e participado de congressos de finanças comportamentais para compartilhar um novo olhar sobre o papel dos especialistas financeiros na sociedade.

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