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‘Raters’ gonna rate – Um péssimo trocadilho sobre a redução do rating brasileiro

11 de setembro de 2015 - por Ação Jovem sem comentários

  • A agência de rating (classificação de risco) Standard & Poor’s reduziu a nota de risco do Brasil de BBB- para BB+ e, pela reação do mercado, isso parece ruim. Mas, na prática, o que isso significa e como impacta o dia a dia?


    Para responder a essa questão, primeiro é importante saber o que é essa classificação de risco de crédito.

    Funciona assim: todo investidor está buscando a melhor oportunidade que conseguir, ou seja, tentando achar uma aplicação em que o ganho seja bom e certo (na medida do possível). Um jeito de avaliar isso é descobrindo se o investimento está sendo feito para um bom pagador.

     

    Por exemplo, imagine que você tem mil reais para emprestar para alguém e receberá de volta R$ 1500. Mas, você tem que escolher entre emprestar para alguém que tem nome sujo no Serasa ou alguém que já fez 30 crediários nas Casas Bahia e pagou todos em dia. Para quem você emprestaria?

     

    As agências de classificação de risco não são o Serasa, mas dão uma referência para os investidores saberem quais países são mais ou menos seguros para se emprestar dinheiro (e ganhar juros por isso, é claro).

     

    Quando a Standard & Poor’s rebaixou a nota do Brasil, além de obviamente dizer que o Brasil já não é mais tão seguro quanto já foi, ela acrescentou um problema adicional: a nota anterior garantia o Grau de Investimentos ao Brasil, um selo de qualidade que alguns grandes fundos de investimento exigem para investir em um país. Normalmente, eles precisam que pelo menos duas agências das três principais (as outras são a Fitch e a Moody’s) retirem o selo de bom pagador para abandonar um país, mas a preocupação é que pelo menos o primeiro passo para perder o Grau de Investimento de vez já foi dado.

     

    ‘Que lixo de país’

    A expressão usada para títulos emitidos por países que não tem grau de investimento é bastante pejorativa, ‘junkie’, que pode ser traduzida como ‘lixo’.

     

    Na prática, não é bem assim. Apesar de a classificação de risco ser muito importante, não é por isso que de uma hora para a outra a esperança acabou, mas deve haver adaptações para a realidade do novo cenário.

     

    E na vida real, o que acontece?

    Voltando para o exemplo das Casas Bahia, você até poderia pensar em arriscar emprestando seus mil reais para alguém com nome sujo, mas só se pudesse ganhar bem mais por isso, não é mesmo?

     

    No caso do risco de crédito, a situação é a mesma e os investidores vão querer ganhar bem mais juros. Por isso, o que pode acontecer com os investimentos é o seguinte:

     

    As aplicações que acompanham os juros podem render mais.

    Já quem investiu em um juro prefixado (onde o rendimento não muda até o final) pode estar ganhando agora menos do que o mercado acha justo. Se não encerrar a aplicação isso não tem problema, pois vai continuar tendo ganhos, mas se quiser vender os títulos que comprou, pode receber menos do que pagou ou menos do que iria ganhar proporcionalmente se esperasse o fim da aplicação.

    Isso vale para quem aplica em indexados à inflação também.

     

    Já na bolsa, as empresas muito dependentes da economia brasileira vão ter dois problemas: possibilidade de resultados menores devido ao cenário e, se emitirem dívidas para se financiar, vão ter que pagar juros mais caros. É como se os investidores dissessem assim: ‘diga-me com quem andas e lhe direi quem és’ – mas, você está coladinho com o rapaz do Serasa.

     

    Pagando mais juros e/ou tendo menos lucro, para quem investe nestas empresas o resultado é o mesmo, menos rendimento e mais risco. Por isso, eles vão achar justo pagar mais barato pelas ações e seu preço pode vir a cair.

     

    O Dólar, ao contrário, pode se valorizar se os investidores começarem a desfazer suas aplicações aqui e voltarem para o exterior. Então, viajar para a Disney pode ficar um pouquinho mais caro daqui em diante.

     

    Doem-lhe os fundos? 

    Fundos de investimento podem ser os mais diversos, mas tem uma característica em comum chamada ‘marcação a mercado’. É uma regra que diz que os preços dos ativos que o fundo compra para investir sejam precificados de acordo com a situação atual do mercado. Isso significa que mesmo que você não tire o dinheiro, vai ver exatamente o saldo que teria se resgatasse hoje.

     

    É como se você comprasse um imóvel e todos os dias o corretor te ligasse falando:

    _Oi sr. Fulano! Hoje, duas pessoas fizeram proposta para vender apartamento no prédio e a média foi de 300 mil reais.

     

    Isso é bom, porque te mostra o preço justo das suas aplicações e, se outro investidor do fundo tirar o dinheiro dele, você não corre o risco de dar uma parte do seu lucro para ele. Mas, em momentos como o atual, dói ver o saldo diminuir.

     

    O susto é ainda maior quando o fundo é de renda fixa ou atrelado à inflação, porque provavelmente você não fazia ideia que ele pode ficar negativo! Esse efeito normalmente não dura no longo prazo, mas dependendo da instabilidade, os resultados ruins podem perdurar por alguns meses.

     

    Até última atualização, este é um momento de grande instabilidade. Portanto, se você não está só apostando na alta dos juros, pode se preparar para alguns solavancos, porque vai balançar.

     

    Haters gonna hate.

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