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A agitada visita do AJ à Nova York

29 de maio de 2015 - por Ação Jovem sem comentários

  • Em uma semana agitada, o conselheiro e o presidente do Ação Jovem do Mercado Financeiro e de Capitais, Leonardo Portugal e Caio Cordeiro, respectivamente, representaram o Ação Jovem em uma série de palestras, eventos e até uma visita à NYSE, bolsa de valores de Nova York.

    Eles contam neste texto como foi essa experiência e o que aprenderam por lá:

     

    A terça-feira, 12 de maio, foi marcante. O AJ participou de três eventos enriquecedores.

    Manhã: Café da Manhã com BTG Pactual

    Investidores e empresários se reuniram em um café da manhã organizado pelo banco de investimento BTG Pactual em Nova York, que contou com a palestra do atual CEO do banco, André Esteves, e o CEO da BTG Pactual Asset Management, Persio Arida.

    Ambos focaram, em seus discursos, nas perspectivas econômicas para o Brasil e o momento de ajustes pelo qual a economia brasileira está passando. A boa notícia é que eles apresentaram opiniões favoráveis ao país no médio prazo.

    Pérsio Arida iniciou sua apresentação falando sobre o crescimento dos últimos anos das principais econômica mundiais como China, Europa, Japão e EUA. Citando principalmente o crescimento da China, na casa dos dois dígitos há alguns anos, e hoje se estabilizando próximo a 7% a.a. A China tem impressionantes 42% do PIB destinados aos investimentos o que impulsionou essas altas taxas de crescimento, porém já vemos a falta de sustentabilidade com as taxas atuais, mas tendendo a estabilizar pela rápida resposta do governo ao relaxar as políticas monetárias (diminuição da taxa de juros) e maior controle das políticas fiscais. Colocando o país cada vez mais próximo de almejar sua moeda como reserva internacional numa competição com o dólar.

    Quando comparamos com o Brasil, vemos muitas discrepâncias. Nossos investimentos beiram os 19% do PIB (sendo 15% de poupança interna e 4% de recursos externos) e oscilaram de maneira abrupta nesses últimos anos refletindo em crescimentos nada sustentáveis do país. Isso, devido a uma política econômica conturbada de aumento de taxas de juros e tentativas de manutenção do real frente às outras moedas. E do lado da política fiscal, vimos o afrouxamento desta gerando transtornos muito conhecidos por nós, e presentes nos nosso dia-dia com os constantes reajustes e arrochos que estamos vendo em 2015.

    Pérsio cita a Europa como um exemplo de superação das crises desde 2008, e mesmo com problemas irremediáveis como a Grécia, ainda assim apresenta respostas positivas importantes como a perspectivas de crescimento em torno de 1,5 % em 2015. Essa inversão veio por meio das políticas econômicas expansionistas do bloco como a depreciação do euro somado a uma austeridade fiscal (maior rigor no controle dos gastos), que provavelmente confirmarão essas expectativas de crescimento neste ano. Valendo lembrar a complexidade de confluência de interesse dos diversos países da zona do euro, com plataformas fiscais independentes, pela necessidade de uma governança unânime no Banco Central Europeu.

    Essa lição de casa, de afrouxamento das políticas econômicas e austeridade fiscal também fora feita pelo Japão e EUA, que apresentam estruturas econômicas sustentáveis frente às crises tão recentes. O segundo detém 50% da riqueza financeira do mundo em sua moeda (dólar) e o risco agora é, a partir da lição de casa feita, quando e como o Fed (Banco Central dso EUA) aumentará a taxa de juros do país. Segundo sua própria presidente Janet Yellen, os aumentos serão suaves, mas vale lembrar as crises de 1998 a 2002 (Rússia e América do Sul) que tiveram como agravante o aumento abrupto da taxa de juros pelo governo americano a época.

    Sobre o Brasil, ambos observaram que o ajuste fiscal conduzido pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, alinhado com o aperto monetário pelo Banco Central são dois processos necessários para “consertar” desequilíbrios que a economia brasileira acumulou nos últimos anos. Na visão de curto prazo, principalmente referente ao ano de 2015, é de que a economia provavelmente vai enfrentar uma retração da atividade econômica (prováveis -1,2% de queda do PIB) após crescimento de 0,1% verificado em 2014. A partir de 2016, a expectativa é de inversão uma vez que os efeitos acumulados e defasados do aumento da taxa Selic resultarão num processo onde a inflação volte para o centro da meta (4,5% a.a.).

    No âmbito fiscal, as melhoras nas contas públicas, com um maior superávit primário, será elemento-chave para reconquistar a confiança dos empresários. O maior grau de previsibilidade virá com o sucesso da conjuntura da política fiscal e da política monetária criando melhores condições para a retomada dos investimentos privados e do crescimento do país.

    Pérsio Arida acredita que o PIB de 2016 e 2017 deva ficar em patamares próximos a 1,5% e 2% respectivamente. Esse cenário deve melhorar diretamente proporcional com a inclusão do Brasil no fluxo comercial mundial, seguindo os exemplos dos países citados pelo Pérsio Arida.

    Comenta que nesse cenário de crise é bom se municiar de informações, mas principalmente de fintes internacionais. Pois no Brasil a realidade e emoções do dia-dia estão contaminando negativamente os investidores que acabam por deixar oportunidades passarem. Por outro lado os “gringos” que por natureza são mais “frios” nas análises de investimento acabam por aproveitar essas oportunidades.

    Como podemos ver nos números da dívida brasileira (títulos do governo brasileiro) de longo prazo que estão na casa de 20% em mãos de investidores estrangeiros.

    Sobre a característica populista que o Brasil apresenta no momento e que tanto preocupa os empresários, diz que essa fator pode ser revertido como o Peru que já teve um governo populista no passado recente e hoje é o país que apresenta uma das maiores taxas de crescimento na América Latina .

    André Esteves abordou os cenários macro e microeconômico no Brasil, iniciando pelo mercado imobiliário, grande dúvida dentre os presentes, ressaltou que o momento de crise do setor devem se manter pelos próximos meses. O mercado imobiliário residencial e comercial deve ter sua estabilização nos próximos 24 meses.

    Sobre a infraestrutura acredita que o ambiente ainda está muito turbulento pelas crises econômica e política, deixando muita coisa ainda suspensa. O BNDES está com um desafio micro-econômico grande de participar desses investimentos na infraestrutura pela diminuição do capital disponível. As grandes construtoras em sua opinião passarão por essa turbulência e as menores irão “balançar” mais.

    O grande problema do Brasil hoje é a incerteza jurídica, que afasta o capital estrangeiro e nacional. As regulamentações e Parcerias Público Privadas – PPP ainda não estão atrativas a estes investidores, mesmo sabendo das demandas como transporte de commodities (filas de caminhões nos portos), taxas de retornos altas (pelas carências apresentadas pelo país) e principalmente das baixas taxas de juros aplicados ao longo do globo que deveriam atrair esse fluxo de capital para o país.

    As soluções passam por reinserir uma agenda de produtividade em todos os sentidos, como pré condição a agenda macro com o controle fiscal, da inflação sem acabar com a demanda e depois a agenda micro no aumento da produtividade geral, mas também pela melhoria na qualidade da mão de obra. Para que assim possamos retomar a capacidade de competir mundialmente, voltando a ter acesso aos fluxos de capital estrangeiro e nos beneficiando deste entregando uma taxa de retorno satisfatória ao investidor.

     

    Tarde: Visita à NYSE (New York Stock Exchange)

    O Ação Jovem do Mercado Financeiro e de Capitais (AJMC) participou no dia 12 de maio da cerimônia de fechamento do pregão da bolsa de Nova York, a New York Stock Exchange (NYSE).

    A cerimônia contou com a presença de autoridades e investidores convidados pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. Entre os presentes estavam a embaixadora americana ao Brasil, Liliana Ayalde e presidente da Câmara de Comércio Brasil-EUA; Carlos Alberto Vieira, conselheiro do Banco Safra; Murilo Portugal, presidente da Febraban; e Marcus de Souza Barros, sócio controlador da tradicional corretora de valores Souza Barros.

    A NYSE, maior bolsa de valores do mundo em capitalização de mercado (o valor de todas as empresas listadas é próximo a US$ 16,6 trilhões até fevereiro de 2015), está localizada em Wall Street, sul de Manhattan. O volume médio diário da NYSE foi de aproximadamente US$ 42 bilhões em abril de 2015. O giro diário médio da Bovespa em abril de 2015 foi próximo a R$ 7,9 bilhões (equivalente a US$ 2,57 bilhões).

     

    Noite: ‘Person of the Year’, da Câmara de Comércio Brasil-EUA 

    À noite o evento principal da semana: o jantar do Person of the Year da Câmara de Comércio Brasil-EUA. Os homenageados deste ano foram os ex-presidentes do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, e dos EUA, Bill Clinton.

    Veja o vídeo institucional do evento:

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