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Aécio perde o fôlego e mercados derretem de vez, por Pedro Paulo Silveira

21 de outubro de 2014 - por Ação Jovem sem comentários

  • O economista Pedro Paulo Silveira, parceiro do Ação Jovem, comenta em seu blog sobre o turbulento dia que vive o mercado financeiro. Confira:

     

    Difícil falar algo sobre os mercados hoje que não seja os resultados das pesquisas de ontem que apontaram o empate técnico entre Dilma e Aécio, com a presidente na frente com alguns pontos. Além do empate, o destaque ficou pela elevação da rejeição de Aécio, o que vai tornando sua capacidade de recuperação mais difícil. Além disso, tal como afirmou o Financial Times, a falta de água em São Paulo pode cobrar um custo muito mais elevado do que imaginavam os tucanos. Segundo a Folha de São Paulo, quase setenta municípios estão com o fornecimento de água interrompido. No Jornal Nacional de ontem houve reportagem em Piedade-SP mostrando o racionamento de água para a irrigação das lavouras de hortaliças e legumes na principal região produtora do estado. Em São Paulo é possível, depois das 22 hs, vermos uma enorme quantidade de caminhões pipa circulando pelas ruas para abastecer edifícios em algumas regiões da cidade. Os tucanos estão amargando a repetição do racionamento de energia feito em 2001 e isso vai ser usado nesses quatro dias de campanha que ainda restam. Por afetar fortemente os mais pobres, há um risco enorme de transferência de votos na região em que vinha garantindo a virada de Aécio. Ainda que o possível benefício para a campanha de Dilma seja limitado, pelo escasso tempo até a votação de domingo, devo ponderar que uma recuperação dos estragos, se houve, é mais limitada ainda. É por conta disso que considero que as chances de reeleição estão maiores do que estavam duas semanas atrás. O próprio mercado, ao colocar o Ibovespa abaixo dos 54 mil pontos, estabelece um prêmio que está mais próximo da vitória de Dilma do que da de Aécio.

    Hoje o IBGE divulgou o IPCA-15 e ele mostrou que a inflação do oficial está sendo afetada pelos alimentos, pela energia e pelo vestuário, tal como no IPCS da FGV e no IPC Fipe.

    Cerca de um terço do índice é devido ao aumento dos alimentos, impactando 0,17%; outro terço é devido aos aumentos de energia elétrica residencial; o outro terço divide-se entre todos os outros itens, com destaque para o vestuário, que tem alta sazonal por conta da mudança de estação.

    No mundo as coisas estão melhores: o crescimento chinês e os lucros corporativos seguraram as bolsas. Apesar dos 7,3% de crescimento do terceiro trimestre ter sido menor do que os 7,5% do trimestre anterior, ela animou os mercados. A indústria subiu 8% em setembro depois de ter subido 6,9% em agosto. Mas o mundo não será capaz de reverter o susto do mercado local com o cenário eleitoral.

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