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Agência piora perspectiva sobre saúde financeira do Brasil

9 de setembro de 2014 - por Ação Jovem sem comentários

  • A agência de classificação de risco Moody’s passou de “estável” para “negativa” a nota de crédito do Brasil hoje. Os ratings, como essas notas são chamadas, são um sinalizador da saúde financeira do país porque avaliam os riscos que de calote no pagamento da dívida soberana. Na prática, a agência quis alertar o Brasil sobre um possível rebaixamento da nota (por enquanto só a perspectiva foi alterada). Isso porque o governo está gastando mais do que deveria, não economizando o necessário para pagar os juros da dívida (superávit primário) e a economia está fraca, o que também reduz a receita pública. Ou seja, as contas da máquina brasileira não vão nada bem.

    O economista da TOV Corretora Pedro Paulo Silveira, parceiro do Ação Jovem, explica que, apesar de a notícia ser ruim para o mercado, ela não deve “fazer preço” (ou seja, influenciar muito na bolsa de valores) porque outra agência, a Standard & Poor’s (S&P) já havia rebaixado a nota do Brasil em março, alegando as mesmas coisas: crescimento baixo e piora nos indicadores da dívida. “Em minha opinião, essa tendência de rebaixamento das notas de classificação do risco brasileiro deve continuar, já que as perspectivas de crescimento da economia brasileira são ruins, independentemente de quem governar o país a partir do ano que vem”, disse.

    Em seu blog ele explicou:

    – A economia brasileira continuará pressionada pelo baixo crescimento mundial, que tem originado várias distorções nas relações comerciais, com os saldos oscilando de país a país. Essa oscilação entre os saldos mostra que diversas economias importantes estão em desaceleração e que uma “guerra comercial” pode ser detonada com a introdução dos estímulos monetários na Zona do Euro, na China e no Japão. As moedas deverão oscilar ainda mais e não há perspectiva de retorno à coordenação econômica que marcou o início de 2009.

    – Ainda que o governo que assuma seja mais pró-mercado, o “choque de credibilidade” implica em redução drástica do crescimento nos primeiros trimestres. Essa redução tende a piorar, e não melhorar, o quadro fiscal, como demonstram as experiências brasileiras dos anos 1990. O indicador  relação dívida líquida/PIB piorará porque a taxa de crescimento piorará e as despesas com juros aumentarão. Também ocorre a deterioração do superávit primário em função da queda da arrecadação. Já o indicador dívida bruta/PIB também cresce em função da acumulação de reservas1, que será maior, e não menor, por conta do aumento da confiança gerada no primeiro momento. Também deve aumentar o acúmulo de reservas o aumento do diferencial de juros, já que as outras moedas deverão se desvalorizar no ano que vem.

    – As agências de rating poderão colocar as notas em perspectiva positiva, mas isso não garantirá que as notas sejam melhoradas, pois a tendência é de manutenção dos indicadores ruins por um bom tempo. Ainda que o superávit primário melhore, as relações acima só piorarão na inexistência de uma taxa de crescimento elevada.

    Portanto, o rebaixamento da nota do Brasil não representa, no momento, um “gatilho” para a alteração dos preços de ações, juros e câmbio.

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