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#1: O fantasma da inflação (Por Otto Nogami)

5 de setembro de 2014 - por Ação Jovem sem comentários

  • Nesta sexta-feira o IBGE, instituto brasileiro de estatísticas, comprovou o que temos sentido nos nossos bolsos: a inflação está tirando cada vez mais o poder de consumo. O IPCA, índice que mede a variação de preços no Brasil, subiu 6,51% em 12 meses até agosto.

    Otto Nogami, nosso parceiro e professor de economia do Insper explica sobre o fantasma da inflação:

    O que devemos temer: o fantasma da inflação

    A inflação nada mais é do que o aumento de preços da economia Isto pode acontecer por vários fatores: por um aumento nos preços dos fatores de produção (mão de obra, por exemplo), quando o desejo de consumir da sociedade é maior que a capacidade de produzir da economia e quando há um excesso de moeda em circulação. Respectivamente são conhecidas como inflação de custos, inflação de demanda e inflação monetária (que por muitos é considerada de demanda pois mais dinheiro em circulação provoca mais consumo).

    À medida que o governo promove ganhos reais de salário ao trabalhador, ou seja, reajustes maiores que a própria inflação, faz com que os custos de produção aumentem, fazendo com que passe a custar mais caro produzir, o que irá refletir nos preços dos produtos e serviços. Uma maneira de neutralizar este aumento nos custos de produção seria buscar mais produtividade, que se consegue melhorando os processos de produção ou agregando tecnologia, resultados que se obtém através de investimentos no setor produtivo.

    A política econômica que estimula o consumo das famílias é, indiscutivelmente, uma solução para estimular a economia. Mas para isso, é importante atentar para alguns aspectos relevantes, tais como, se a capacidade de produção da economia está em condições de atender a esse aumento de consumo, e se a renda comporta este aumento na demanda de bens e serviços. Se a indústria não tiver condições de atender a esse aumento de consumo, naturalmente, pela lei da oferta e da demanda, os preços tendem a se elevar.

    Por outro lado, à medida que o sistema creditício oferece condições que facilitem a aquisição de bens duráveis (dez vezes no cartão sem juros, entrada e parcelas com taxas de juros zero etc.) o consumidor se vê tentado a antecipar suas compras, adquirindo hoje um bem que seria adquirido em algum momento no futuro. Essa antecipação na compra, de forma agregada, faz com que a demanda seja maior que a condição de produção da indústria, que naturalmente eleva os preços, gerando uma pressão inflacionária.

    O Banco Central, por sua vez, ao reduzir forçosamente a taxa de juros, para manter o equilíbrio monetário terá que colocar mais moeda em circulação, o que aumenta a liquidez dos bancos, que passam a ter mais recursos para emprestar e financiar a aquisição de bens duráveis. Se o setor produtivo não estiver preparado para atender este eventual aumento de demanda, este descompasso repercutirá sobre os preços desses bens, elevando-os, contribuindo para a o aumento da inflação.

    Pelo exposto, chega-se à conclusão que o grande fantasma da inflação surge à medida que o setor produtivo da economia não está capacitado para atender ao aumento do consumo da sociedade como um todo, por falta de investimentos, que poderiam adequar e expandir as condições de produção das nossas empresas para atender à demanda das famílias. Outro aspecto importante é que essa falta de investimentos também compromete a produtividade, tornando os processos de produção mais caros, que irá refletir sobre os preços.

    A solução, portanto, para eliminar essa defasagem entre o desejo de consumir e a capacidade de produzir, indutora da inflação, seria reduzir o desejo de consumir via aumento da taxa de juros, ou aumentar a capacidade de produzir via investimentos. Enquanto nem uma medida ou outra é aplicada, ficamos na dependência da importação para suprir parcialmente essa defasagem, o que aumenta a vulnerabilidade das contas externas.

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