Novidades

Brasil no vermelho

3 de setembro de 2014 - por Ação Jovem sem comentários

  • O país está em situação alarmante de endividamento e a renda das famílias está cada vez mais comprometida

    É perceptível que os brasileiros estão cada vez mais endividados. Indicadores recentes mostram claramente a dificuldade enfrentada pelas famílias para sair do vermelho. Segundo a Serasa Experian, empresa que compila dados sobre crédito e inadimplência, o número de pessoas com contas em atraso chegou a 57 milhões em agosto. Ou seja, 25% da população têm arrepios quando ouve a palavra “dívida”. No mesmo período do ano passado, eram 55 milhões de devedores.

    Já a inadimplência das famílias aumentou 11% em julho na comparação com o mesmo período de 2013, ao passo que, também no sétimo mês, a devolução de cheques por insuficiência de fundos chegou a 2,24% –  o maior nível para julho desde o início da série histórica, em 1991. Para os especialistas da Serasa, esses dados mostram claramente que os brasileiros estão enfrentando neste ano uma dificuldade maior para honrar seus compromissos financeiros.

    “Estagnação da economia, juros elevados, inflação ainda em patamar desconfortável e enfraquecimento do mercado de trabalho são alguns dos elementos que contribuem para esta elevação”, diz o relatório da empresa.

    O brasileiro também está parcelando compras acima de sua realidade salarial, ao mesmo tempo em que abusa do cheque especial – a pior coisa que uma pessoa poderia fazer com suas finanças porque é a modalidade que cobra os juros mais astronômicos. O alarmante é que cerca de 60% dos endividados têm contas atrasadas que superam toda a renda mensal e mais da metade dos brasileiros com dívidas possuem até duas contas não pagas no prazo.

    “As dívidas não bancárias, como carnês de lojas, e aquelas contraídas com bancos foram as principais responsáveis pela alta da inadimplência”, diz a nota.

    Segundo o Banco Central, a taxa no sétimo mês do ano foi de 4,9%, o que significa que, do total de pessoas que tomaram crédito, 4,9% estão com os pagamentos vencidos há mais de 90 dias. O número pode parecer pequeno, mas esses devedores acabam prejudicando os demais, já que os bancos também avaliam os calotes para determinar os juros a serem cobrados.

    Ainda em julho, os juros para pessoas físicas bateram recorde de alta: impressionantes 43,2% ao ano. O aumento da taxa Selic pelo próprio Banco Central também contribui para que as taxas bancárias subam, por ser uma espécie de balizador do mercado de crédito.

    Mas, o importante é entender a lógica simples por trás de todos esses números: com juros altos, as pessoas ficam cada vez mais endividadas e sobram menos recursos para o consumo e também para a poupança, essencial para a realização dos sonhos.

     

Comentários