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Antônio Ermírio de Moraes deixa um legado de boa gestão e liderança

25 de agosto de 2014 - por Ação Jovem sem comentários

  • História de Antônio Ermírio de Moraes é escrita em livro "Memórias de Um Diário Confidencial"

    Neste domingo o Brasil perdeu um de seus mais renomados empresários: Antônio Ermírio de Moraes, ex-presidente do Grupo Votorantim. Aos 86 anos, ele morreu por insuficiência cardíaca em sua casa e deixou para trás não apenas a família e amigos, mas também um legado impressionante. Defensor do livre mercado, da gestão profissional de empresas e do empreendedorismo, Antônio ajudou a erguer um conglomerado que faturou R$ 26,3 bilhões em 2013 e atua em diversos setores – metalúrgico, cimenteiro, financeiro, papel e celulose, suco de laranja e autogeração de energia.

    No último levantamento da revista Forbes, o empresário estava em 9º lugar o ranking de maiores bilionários brasileiros, com uma fortuna estimada em 3,1 bilhões de dólares. Apesar do patrimônio, Antônio Ermírio vivia em um estilo simples, sem luxos e ostentação, gostava de dirigir carros velhos.

    História – Voltando ao Brasil depois de cursar a graduação no Colorado, EUA, Antônio Ermírio conseguiu um estágio não remunerado na Siderúrgica Barra Mansa, uma das empresas da família, em 1949. Em 1955 foi o responsável pela instalação da Companhia Brasileira de Alumínio, o embrião da Votorantim hoje. Em 1973, após a morte do pai, Antônio e o irmão José Ermírio assumiram o comando do grupo Votorantim. Em sua biografia, “Memórias de um Diário Confidencial”, escrita pelo economista José Pastore, Antônio gostava de acompanhar todos os detalhes das fábricas, era um viciado em trabalho assumido. Nem de férias ele gostava!

    Uma lição importante de seus ensinamentos foi que, para ele não existia uma fórmula mágica para um negócio (ou a economia de um país) dar certo. “O fundamental é seguir a lógica, o bom senso, e ouvir as boas cabeças que você tem na empresa. Não existem truques”, dizia. Em sua gestão no grupo Votorantim, o empresário adotou um estilo conservador, avesso a riscos, que se mostrou acertado: o conglomerado sobreviveu a graves crises econômicas. Antônio tornou-se também uma das maiores lideranças empresariais do Brasil, sempre lembrado pelos cases de sucesso e boa gestão.

    Em entrevista publicada no site da VEJA, José Pastore, amigo pessoal e autor de sua biografia (“Antônio Ermírio de Moraes – Memórias de um Diário Confidencial” – Editora Planeta), conta que ele gostava de se atualizar com novas tecnologias que surgiam, defendia a educação como a principal ferramenta de desenvolvimento econômico e se envolvia em causas sociais. Ele presidiu por 40 anos o Hospital Beneficência Portuguesa, em São, Paulo, profissionalizando sua gestão e o ajudando financeiramente.

    Nacionalista, ele criticava políticas econômicas, especialmente a falta de um planejamento para o setor industrial. Reclamava das altas taxas de juros cobradas pelos bancos e acusava a preferência do governo pelo setor financeiro, deixando o industrial em segundo plano. Se envolveu pouco na política, tendo concorrido apenas uma vez, em 1986, ao governo do Estado de São Paulo, pleito que perdeu para Orestes Quércia (PMDB).
    Só deixou o Conselho de Administração do grupo Votorantim em 2001, aos 74 anos, quando passou para os filhos o comando. Nos últimos anos, o empresário começou a sofrer do mal de Alzheimer.

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