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Personalidades em Ação com Edemir Pinto, presidente da BM&FBOVESPA

8 de outubro de 2012 - por Ação Jovem sem comentários

  • Nesta terça-feira, 02 de outubro, os membros do Ação Jovem começaram o dia de uma forma diferente e estimuladora: com um café da manhã com o Edemir Pinto, presidente da BM&FBOVESPA. O encontro foi mais uma edição do Personalidades em Ação, evento promovido pelo Ação Jovem com o objetivo de trazer uma personalidade de sua área de atuação para contar sua trajetória profissional e dividir experiências.

    A conversa começou pelo tema CARREIRA. Edemir disse que o mais importante quando o assunto é profissão é gostar daquilo que se faz e não ficar buscando o que se gosta de fazer, pois, na maioria das vezes, isso gera frustrações e as oportunidades passam sem ser aproveitadas. Na hora de escolher um candidato para trabalhar na bolsa de valores brasileira, Edemir destaca a importância de se olhar nos olhos das pessoas. “O brilho nos olhos do candidato é um grande diferencial, não há faculdade que ensine isso. É preciso acreditar e buscar”, diz ele.

    Edemir também falou sobre EDUCAÇÃO e disse que o Brasil está muito distante de outros países nessa área. “A segurança pública foi tratada, durante muitos anos, como prioridade no país, agora é a hora de colocarmos a educação em primeiro plano”, complementa. Edemir falou sobre o Brasil Sem Fronteiras, projeto do governo federal que disponibiliza bolsas de estudos no exterior para jovens que obtenham 600 pontos no ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio. “O Brasil vive um momento espetacular, mas só terá resultados efetivos se investir na educação. Hoje a competição é dura, o diferencial é a educação.”, finaliza.

    O presidente da BM&F Bovespa também contou um pouco de sua TRAJETÓRIA de vida. Natural de São José do Rio Preto, ele se formou em economia em sua cidade natal e veio para São Paulo fazer especializações. Viajar à São Paulo era uma de suas paixões e ele sempre participava de delegações organizadas pela faculdade para visitar a Bolsa, local que exercia enorme fascinação entre os estudantes. Edemir guarda algumas fotos com a turma da faculdade em frente à Bolsa, quando a sede ainda era na Rua Álvares Penteado, no Centro de São Paulo.

    Edemir casou-se aos 24 anos, logo após se formar, e iniciou sua atividade profissional em um escritório de contabilidade, onde começou como office boy e saiu como sócio. Pensando em seu crescimento profissional, ele deixou a companhia e partiu em busca de algo novo e desafiador. Depois de algumas entrevistas e processos seletivos, trabalhou no grupo Abril durante sete anos. No final de sua trajetória na Abril, Edemir trabalhava na controladoria e custódia, onde começou a gerenciar algumas ações que a empresa detinha.

     

    INÍCIO DO TRABALHO NA BOLSA

     

    Na época, tinha-se a ideia de criar um mercado de derivativos no Brasil e Edemir foi convidado para participar do processo de implementação. Em 16 de janeiro de 1986 aceitou trabalhar na Bolsa Mercantil e Futuros (que deu origem à antiga BM&F).

    Edemir falou sobre o sucesso do modelo da BM&F e ressaltou a importância de Manoel Felix Cintra Neto, ex-presidente da BM&F, e de Raymundo Magliano Filho, ex-presidente da Bovespa, para o mercado de capitais brasileiro. Manoel, com sua atuação política, e Magliano, com a sua estratégia de popularização do mercado.

    Edemir ressaltou o legado de Manoel Cintra para a BM&F, especialmente a perenidade, quando trouxe a gestão de quatro das cinco clearings existentes para o comando da BM&F no lugar dos bancos. Manuel enfrentou muitos desafios e ganhou essa disputa, o que marcou uma grande transformação na Bolsa. Já Magliano, com sua forte ideia de popularização do mercado, levou os conceitos de investir na Bolsa para a população, processo importante para desmitificar o mercado.

    Edemir contou brevemente sobre o processo de UNIFICAÇÃO DAS BOLSAS: Entre 2002 e 2003, as duas bolsas existentes no Brasil – Bovespa e BM&F começaram o processo de profissionalização e quando já estavam consolidadas, fizeram a desmutualização (a Bovespa em outubro de 2007 e a BM&F em novembro de 2007).  Assim, elas passaram a ser uma única corporação, com uma nova estrutura, sem um dono especificamente, já que tem o capital bem pulverizado – a bolsa tem em torno de 90 mil acionistas e o maior investidor detém 5% das ações. O resultado disso foi a criação, em 20 de maio de 2008, da BM&FBOVESPA, fusão da Bovespa com a BM&F. Assim, a bolsa brasileira ganhou musculatura, visibilidade internacional e se tornou modelo de riscos, processos e governança.

    Edemir falou com orgulho sobre projetos pioneiros da BM&FBOVESPA, como a Bolsa de Valores Socioambientais (BVS&A), modelo que já é copiado por bolsas de outros países (Portugal e África do Sul), e tendo a Coreia como interessada em saber mais sobre o projeto.

    Edemir ressaltou diversas vezes o valor dos corretores, que enxergaram a importância de dividir a Bolsa com a sociedade. Hoje a Bolsa tem clube de atletismo, a BVS&A, a Associação Profissionalizante e conta em sua estrutura uma Diretoria de Sustentabilidade (única Bolsa no mundo a ter essa diretoria segundo o presidente).

    Edemir disse sentir muito orgulho da BM&FBOVESPA e de fazer parte dela e complementou dizendo que é um dia-a-dia dinâmico e apaixonante.

     

    DESAFIOS


    Um desafio apontado pelo Edemir é o papel da Bolsa de ser um órgão regulador, que também determina regras para o mercado.

    O maior desfio de sua carreira profissional foi a implementação do PQO – Programa de Qualificação Operacional. Edemir contou que os corretores já estavam acostumados com seus processos e, então, quando a Bolsa trouxe novos conceitos e procedimentos, mudando o que sempre fizeram até então, foi uma fase de difícil adaptação. Além disso, o projeto geraria custos extras para as corretoras. Hoje existem 77 corretoras cadastradas na Bolsa e metade delas já tem o selo de qualificação, o que segundo Edemir, já é um sucesso, pois o mercado reconhece essa qualificação.

     

    PERGUNTAS


    O Ação Jovem lançou nas redes sociais (facebook e twitter) a oportunidade de seus seguidores enviarem uma pergunta que gostariam de fazer ao presidente da BM&FBOVESPA se tivessem oportunidade. Muitas perguntas interessantes foram enviadas, mas somente uma foi selecionada (a primeira, logo abaixo). Confira essa e todas as outras perguntas que o presidente da Bolsa respondeu para o Ação Jovem:

     

    (via redes sociais)- Há algum projeto da BM&FBOVESPA para trazer os pequenos e médios empresários para a Bolsa?

    “Esse é outro grande desafio da Bolsa e há um projeto em andamento, já que o Brasil conta com 3 milhões de empreendedores que não tem oportunidade de entrar na Bolsa.

    A Bolsa já firmou parceria com diversos órgãos do governo e viajamos por sete países que já tem consolidado a presença de pequenas e médias empresas em suas respectivas Bolsas. A ideia é conhecer esses modelos mais profundamente para implementar aqui no Brasil. Algumas reuniões já estão agendadas para discutirmos o tema.

    Hoje o custo para uma empresa abrir seu capital é alto e, portanto, é mais acessível para empresas que faturam acima de US$ 400 milhões / ano. A ideia é reduzir esse custo, mas esse não é um processo simples.

    Além disso, as auditorias, escritórios de advocacias, e outras instituições envolvidas no processo de IPO dão mais atenção às empresas maiores. Hoje há 700 mil empresas fora da Bolsa brasileira. Mas há também uma dificuldade de achar o comprador certo para esse tipo de negócio. É um projeto de resultado a longo prazo. Os privet equitys são especialistas nisso.

    A ideia incial seria a criação de fundos incentivados ou algum outro tipo de benefício, como abatimento no Imposto de Renda, ou outro, para quem investir em pequenas e médias empresas que estejam tentando entrar na Bolsa.

    O BNDES – Banco Nacional do Desenvolvimento Social era um concorrente da Bolsa, pois as empresas recorrem à ele quando precisam de recursos. Mas assinamos um acordo com o BNDES para que até junho de 2013 eles tragam 10 empresas para o Bovespa Mais, segmento de listagem da BM&FBVOESPA para pequenas e médias empresas.

    A nossa Bolsa é a menina dos olhos do mundo. Somos a 3ª maior Bolsa do mundo em valor de mercado, estamos à frente da NYSE (Bolsa de Nova York), Nasdaq (Bolsa Eletrônica de Nova York) e da Bolsa de Londres. Ocupamos essa posição pelo potencial de crescimento das empresas e do mercado. Hoje temos apenas 0,3% das pessoas físicas brasileiras investindo na Bolsa, nosso potencial é enorme.” (nos EUA são 30%)

     

    - O que a Bolsa está fazendo para desmitificar o investimento na Bolsa?

    Nós realizamos uma pesquisa que indicou que essa é uma visão antiga que as pessoas tinham da Bolsa, de que era uma jogatina. Até o Código Civil tratava a Bolsa como jogo. Hoje a realidade é outra, as pessoas não têm mais medo, o problema é o conhecimento. E esse é o novo desafio: levar conhecimento para as pessoas. Nós demos continuidade e estamos fortalecendo o projeto de popularização iniciado pelo Magliano. Temos um Instituto Educacional, programas na TV Cultura e na TV Futura, o projeto Mulheres em Ação, o Bovespa Vai Até Você e o próprio Ação Jovem.

    Além disso, temos diversos simuladores em parcerias com outras instituições, que são verdadeiras cadeiras de escola. Hoje temos em torno de 1 milhão e 600 mil jovens cadastrados nesses simuladores. Não esperamos que as coisas aconteçam amanhã, essa transformação é de longo prazo.

    Para vocês terem uma ideia, nessa pesquisa que realizamos, algumas pessoas de nível elevado de escolaridade acham que é preciso vir até a Bolsa para comprar ações!”

     

    - 30% dos americanos investem na Bolsa. Pelo histórico do Brasil, onde a taxa de juros é altíssima, o senhor não acha que o brasileiro investe pouco na Bolsa por uma comodidade (ganhos elevados em outros tipos de investimento) e não por falta de conhecimento?

    “Com certeza o investimento em ações é uma questão cultural. Nos Estados Unidos quando nasce um bebê ele ganha uma carteira de ações; aqui no Brasil o bebê ganha uma caderneta de poupança. E com certeza a renda fixa é uma concorrência com a Bolsa. O governo está abaixando a taxa de juros, o que tornará a Bolsa mais atrativa. Isso vai levar algum tempo justamente por ser uma questão cultural. Vimos isso na própria junção das Bolsas – duas culturas muito diferentes se juntaram.

    Mas conseguimos observar que a grande maioria dos investidores já amadureceu e que, durante a crise americana com a quebra do Lehman Brothers em 2008, pela primeira vez aqui no Brasil grande parte dos investidores não vendeu suas ações. Com certeza fatores conjunturais ajudam na escolha de um investimento e outro, mas tenho certeza que essa próxima década será de colheita para a BM&FBOVESPA e para todo o mercado.”

     

    - Como vocês lidam as diferenças nos serviços oferecidos pelas corretoras? Hoje podemos observar uma grande briga por preço entre as corretoras. Há algum trabalho para minimizar isso?

    “Esse quadro melhorou muito nos últimos 2 anos. O PQO – Programa de Qualificação Operacional ajudou muito. Acredito que o agente autônomo precise ganhar uma regulamentação nova. A ANCORD é quem regulamenta os agentes. Esses caras precisam ser mais supervisionados e precisam passar a ter uma consciência maior. Eles tem um custo mínimo e para bater esse valor, alguns deles fazem operações que acabam frustrando os investidores. E isto faz muito mal para a Bolsa. A Bolsa tem um projeto para que os agentes autônomos não trabalhem fisicamente dentro das corretoras. O agente que atua em todo o Brasil com o intuito de trazer mais gente pra Bolsa conscientemente, esse sim precisa ser trabalhado e valorizado.”

     

    - E para finalizar, Edemir deu seu recado aos jovens:

    “Eu acredito que o futuro está nas mãos dos jovens, mas essa condição não basta, é preciso ter consciência e paixão. O comodismo está enraizado em nossos jovens, isso precisa mudar. É preciso buscar conhecimento! Esse é o diferencial. Hoje não temos movimentos como aquele que levou ao impeachment do Collor.

    Aqui na Bolsa nós valorizamos muito as pessoas. Estamos investindo R$ 1 bilhão e 100 milhões em tecnologia, mas o que faz a diferença são as pessoas! Por isso, busquem o conhecimento e paixão pelo que fazem.”

     

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