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Um jeito peculiar de enfrentar os adversários

13 de abril de 2012 - por Ação Jovem sem comentários

  • Por Maria Luíza Filgueiras – Brasil Economico de 09.04.2012

    Não quer comprar ninguém, mas também não quer ninguém mexendo no seu pedaço de mercado. A forma da BM&FBovespa tratar a concorrência pode ser facilmente explicada pelo caminho que a bolsa brasileira optou para crescer. Há cerca de quatro anos, fez um acordo que poderia ser visto tanto como um tiro no pé quanto uma garantia de reserva de mercado, mas que lhe deu por certo uma direção estratégica. Até agora, a segunda opção tem imperado.

    Quando firmou parceria com o grupo americano CME-resultado da fusão entre Chicago Mercantile Exchange, Chicago Board of Trade e New York Mercantile Exchange -, e comprou 5% do capital social, em troca da mesma fatia na sua composição acionária, a BM&FBovespa aceitou limitações quanto a fusões e aquisições. Qualquer negócio global que a bolsa quiser fazer deve ser apresentado à CME, que deve ter a oportunidade de entrar junto na operação.

    “A BM&FBovespa só pode fazer aquisições de bolsas de derivativos na América Latina. Não pode comprar nada fora da região, exceto China, sem a concordância da CME. E a CME não pode comprar nada na América Latina, só através da BM&FBovespa”, destaca o analista Bernardo Mariano, da americana Equity Research Desk, casa especializada que cobre 37 bolsas de valores do mundo todo. A probabilidade de a CME incorporar negócios fora das Américas, no curto prazo, é baixa, e driblar esse acordo também – uma vez que a maioria das bolsas internacionais (ou ao menos as que poderiam interessar à BM&FBovespa) não tem apenas segmento de ações, mas também derivativos.

    Não é à toa, portanto, que a bolsa brasileira avança em negociações com os mercados vizinhos.

    Esta semana deve anunciar oficialmente um acordo com a Bolsa de Santiago, para promover o segmento de derivativos- a brasileira inicialmente transfere conhecimento de modelagem e gerenciamento de risco para esses contratos. É também típico da BM&FBovespa: optar por parcerias e joint ventures, em que ajuda a estimular outros mercados e ali encontra espaço por consequência para venda de tecnologia, serviços e novos negócios futuros.

    Dessa forma, parece seguir ao pé da letra a máxima que indica manter próximos os adversários- de preferência tornando os parceiros. Isso vale para a disputa internacional. Já a concorrência no Brasil, com a possível entrada da Direct Edge e Bats, visivelmente é um assunto que desagrada.

    Sem motivo, para especialistas: na conta da ERDesk, a disputa só seria em torno do que hoje representa 13% da receita da bolsa brasileira. Se o serviço de liquidação for prestado a terceiros, é lucro adicional.

    Apesar de a instrução da CVM abrir espaço para novas clearings, a palavra final deve ser do Banco Central. Para quem entende do riscado, é pouco provável que isso se concretize.

    Não é questão de custo, mas de complexidade e mudança do perfil de risco do mercado brasileiro.

    Assim, se a pesquisa encomendada pela CVM à consultoria Oxera indicar que a concorrência de bolsas fará bem ao país, é possível que os reguladores tentem convencer a BM&F a mudar de opinião.

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